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Bootcamps de programação funcionam?

O que são Bootcamps de programação e o que se aprende neles.

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Aviso: Esse post foi publicado originalmente no Medium.

O que eles têm de tão diferente dos métodos de ensino tradicionais? Compartilho com vocês o que aprendi fazendo dois tipos de bootcamps.

Full Metal Web Developers?

Texto originalmente publicado na CIO

Todo recruta quando entra pro exército em qualquer lugar do mundo tem que passar por um treinamento básico pra deixar de ser civil e virar militar. Você sabe, desmamar do leite com pêra e adquirir a robustez e as habilidades necessárias para a vida na caserna: chafurdar no charco sem frescura, perder o nojinho de comer olho de galinha, entrar na água fria as 3 da manhã, aprender a manusear armamento, construir armadilhas, ficar invisível no terreno e outras coisas do tipo. A este treinamento eles dão o nome de “campo básico”, em inglês “base camp” ou também bootcamp.

Inspirados nos militares nasceram os bootcamps de programação, que são formações imersivas e superintensivas que, de maneira semelhante, buscam dar ao “recruta” um pacotão básico de conhecimentos assim como um novo mindset mais apropriado à sua nova vida, seja como programador, product manager ou fundador de startup.

Este que vos escreve teve a ~sorte~ de frequentar os dois tipos de bootcamp. Nesse artigo vou contar como foi que isso aconteceu e o que aprendi em cada um deles.

Primeiro vou contar como fui parar no exército. Todo mundo sabe como funciona o serviço militar no Brasil: o jovem, ao completar 18 anos, se alista e depois pede pra um amigo do amigo do amigo do pai/vizinho/cachorro/papagaio tirar o nome dele da lista. Como é muita gente pra pouca vaga, e como ainda tem uns loucos voluntários em número suficiente para preenchê-las, na prática basta conhecer qualquer pessoa dentro do quartel que já garante ser liberado do serviço militar. Mas o diferentão aqui quis fazer as coisas do jeito certo, e quando viu que no formulário de alistamento tinha um lugar pra marcar um xizinho e escolher entre “voluntário/não voluntário” pensei: “ah, tá de bouas. Não vão pegar um cara que não quer pegar. Ainda mais que eu estudo de manhã, não vão me obrigar a trancar matrícula na faculdade.”. Corta pra janeiro e lá estava eu indo pro meu primeiro bootcamp aprender a cavar trincheira, lançar granada e, claro, fazer faxina que é o que se faz efetivamente no exército 80% do tempo.

Este cara é programador ou milico?

A ideia do bootcamp é tirar o cara do mundinho cheio de confortos onde ele vive e dar a ele um novo mindset, mais apropriado à vida de um militar: mais vigor e energia (vibração!), companheirismo (esprit de corps), uma ideia completamente nova de onde moram os limites do corpo… enfim, uma nova maneira de pensar, de agir e de entender o mundo. Basicamente entrei lá um garotinho juvenil inocente, criado a ovomaltino na geladeira, e saí de lá com um entendimento completamente diferente de onde moram os limites do meu corpo e do que sou capaz de fazer — entendimentos que duram até hoje.

Depois, muitos anos depois, a vida me apresentou novamente a oportunidade de fazer outro bootcamp, dessa vez um bootcamp de programação. Quando estávamos conversando com a galera do Le Wagon na França para trazer a escola para o Brasil, nos convenceram de que seria importante que a gente passasse pela experiência. E la fui eu de mala e cuia para a França pra passar dois meses aprendendo a programar em um dos melhores bootcamps do mundo.

Mas e aí, o que um bootcamp tem de tão diferente dos métodos de ensino tradicionais?

Em primeiro lugar, imersão. Pensa em alguém estudando inglês. O que você acha que funciona mais, ficar dois anos tendo duas aulas de 50 minutos por semana ou passar dois meses direto na Inglaterra ou nos Estados Unidos sem tomar contato nenhum com a língua portuguesa? No exército é assim, o cara vai pra um acampamento e fica 24h por dia tendo instruções e praticando. Não tem descanso, a qualquer hora da noite o recruta pode ser acordado pra um exercício surpresa.

Nos bootcamps de programação não se chega a tanto, mas é quase! Durante o curso eu ficava no mínimo 10 horas por dia lá no Le Wagon e quando chegava em casa ainda tinha os flashcards pra estudar. Eu sempre fui um cara autodidata e disciplinado e já havia tentado aprender a programar por conta própria com razoável sucesso (tipo bloquear slots na agenda pra estudar e seguir a risca um plano de estudos). Mas até então tudo o que eu conseguia fazer era buscar alguma coisa pronta na Internet e customizar. Ser capaz de fazer alguma coisa do zero foi algo que aprendi no bootcamp e eu atribuo isso à imersão. Não existe uma maneira mais rápida de aprender a programar e ponto. Existem outras maneiras mais baratas (ou até de graça), eu mesmo aponto algumas nesse texto **aqui**. Mas nada se compara aos bootcamps, a gente acaba vendo uma quantidade insana de conteúdo e eles vão usando o conhecimento do dia anterior, que ainda está fresco na memória do aluno, como base para um novo conhecimento e assim por diante, tijolo por tijolo.

Todo bootcamp deve ser imersivo, alguns no sentido literal.

Claro, banalizaram o uso do termo e tem muito curso por aí se chamando de “bootcamp” mesmo sem ter esse caráter imersivo ಠ_ಠ. OK, mas eu acho um pouco forçação de barra colocar tudo na mesma categoria, não dá pra comparar uma parada que é praticamente o dia inteiro de outra que são apenas algumas poucas horas por dia ou às vezes nem isso.

Outra característica dos bootcamps é o aprender fazendo. Ou você acha que no exército os caras vão pro meio do mato levando um monte de livros embaixo do braço? Claro que existe uma base teórica (as instruções) que normalmente são dadas nos quartéis, mas nos acampamentos é prática, prática, prática, prática até o conhecimento entrar “na massa do sangue”, como eles dizem por lá. Nos bootcamps de programação é a mesma coisa: 20% de teoria e 80% prática: nos bons bootcamps o aluno bota a mão na massa o tempo inteiro e já nos primeiros dias volta pra casa sendo capaz de construir coisas.

Uma terceira característica é que, ao contrário do que ocorre na educação tradicional, os bootcamps nivelam a turma por cima. Que país vai querer ter um exército formado apenas pelos piores da turma? Enquanto na educação tradicional o professor tem que ir na velocidade dos mais lentos pra não deixa-los pra trás (o que torna a escola desinteressante pra muita gente — o nome da criança? Albert Einstein), os bootcamps foram encontrando maneiras para que os mais talentosos ajudem a puxar a turma para cima, e não o contrário. Uma dessas maneira que eu mais curtia quando estava fazendo o Le Wagon era o “buddy” do dia, que consiste em um colega sorteado para ser o seu par aquele dia. Sendo assim todo mundo trabalha com todo mundo. Se você descobre um macete animal você passa pro seu par, amanhã esse cara vai estar com outro par e ele vai passar esse conhecimento pra frente e assim a turma se desenvolve como um todo.

Além disso, o conteúdo é aberto. Para cada exercício existem mil e uma maneiras de resolve-lo. Invente uma. E os bons bootcamps terminam com um projeto. Aí meu amigo, o céu é o limite. Cada um tem a chance de se desafiar de acordo com sua vontade e habilidade escolhendo o grau de complexidade e com quais tecnologias ele vai querer trabalhar. O que me chamava a atenção quando eu estava lá é que é impossível prever quais tipos de desafios o aluno vai enfrentar e isso se reflete na postura do educador, que se coloca muito mais como um facilitador do que como o detentor absoluto de todo o conhecimento do universo. Muitas vezes você inventa de fazer no seu projeto algo estupidamente casca grossa e acontece que o próprio professor não sabe como faz e eles vão juntos tentar buscar uma resposta. Isso traz um aprendizado muito precioso, que é o de saber resolver problemas. A consequência disso é que sinto que saí do bootcamp completamente autônomo, com a confiança de quem vai ser capaz de resolver quaisquer desafios que apareçam pela minha frente. Lembra que falei de mindset e nova maneira de agir? Então…

Course Report

Mas e aí, os bootcamps funcionam? Muita gente acha que sim, ano passado foram 16000 formandos só nos Estados Unidos, contra 6000 no ano anterior¹. O mercado também parece dizer que sim, essa pesquisadiz que 73% saem de lá empregados², números ainda mais impressionantes se a gente se lembrar que nem todo mundo faz um bootcamp em busca de emprego. Tem muita gente que faz porque busca empreender melhor, já que entender de produtos digitais é essencial pra quem quer empreender em tecnologia.

Se você chegou até este artigo porque está pensando em fazer um bootcamp de programação (se quer um bootcamp militar, talvez o melhor seja começar por aqui) tenho uma coisinha pra te dizer: o Le Wagon está no Brasil e tem turmas em SP, RJ e BH.

Interessou? Ou está em dúvida se um bootcamp é o melhor pra você? Me mande uma mensagem que terei prazer em te ajudar e entrar mais em detalhes sobre o que falei aqui.

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