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Mathieu Le Roux: “Da French Tech à São Paulo”

Chegando ao Brasil para lançar o aplicativo Deezer na América Latina, Mathieu Le Roux cofundou em 2016 o Le Wagon Brasil, um centro de treinamento dedicado à “programação”. Ele nos recebeu em suas instalações na Vila Madalena para conversar conosco sobre novas tecnologias e a French Tech. Confira:

Mathieu Le Roux: “Da French Tech à São Paulo”
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Mathieu Le Roux, você pode nos contar como o Le Wagon nasceu em São Paulo?

Na Deezer, descobri a importância do produto. É acima de tudo uma experiência digital. É o produto que convence os usuários a ouvir música, voltar a ela regularmente, criar playlists e, eventualmente, acabar assinando. O design da experiência do produto para o usuário é essencial.

Eu queria então aprender a programar, porque está na junção entre as funções de marketing e tecnologia. No final do dia, você tem que entender como fazer o produto. 
Então, um amigo que me aconselhou a procurar sobre bootcamps de programação na França. Descobri assim a empresa Le Wagon que treina pessoas rapidamente para se tornarem programadores. Com um formato de ensino muito orientado para a prática, diferente do curso universitário clássico.

A ideia do bootcamp é aprender em grupo, dentro de uma aula, de forma intensiva, em 9 semanas, como um campo de treinamento, daí o nome militar.

O Le Wagon pegou um conceito nascido nos Estados Unidos e o lançou na Europa. Naquela época, não havia iniciativa semelhante no Brasil, e um dia conversando com o fundador do Le Wagon no Linkedin, ele me explicou que estava abrindo franquias no mundo todo. Tornei-me então estudante e o primeiro franqueado da América Latina. Em julho de 2016, abrimos nosso primeiro “batch”, a primeira turma de alunos, onde éramos dez. O Le Wagon em São Paulo foi lançado. Hoje, o batch em andamento tem quarenta alunos. Nós crescemos bem.
Le Wagon em São Paulo | foto: Vincent Bosson
 

Como funciona o bootcamp de programação no Le Wagon?

No início do Wagon em São Paulo, o treinamento era organizado em tempo integral, durante 9 semanas todos os dias, das 9h às 18h. Hoje, também abrimos aulas a tempo parcial, duas noites e sábado todo o dia, é a mesma carga horária, cerca de 450 horas mas mais de 6 meses. Também abrimos outra “pista”, um segundo curso, de “Data Science”. O aluno não aprende desenvolvimento web, mas ciência de dados, em tempo integral ou meio período.

Hoje, o Le Wagon tem campi em São Paulo e Rio de Janeiro e está se desenvolvendo na América Latina, em Buenos Aires, Santiago, Lima, Cidade do México e recentemente Medellín. E no mundo, são mais de 40 cidades em que ensinamos, é uma comunidade de mais de 15.000 ex-alunos. No Brasil, acabamos de ultrapassar a marca de 1.000 alunos, número alcançado em menos de 6 anos.

Qual é o perfil das pessoas que estudam no bootcamp Le Wagon?

A maioria dos nossos alunos vem com o objetivo de mudar de carreira. Temos muitos advogados, porque o Brasil é um país que forma advogados como nenhum outro. Há tatuadores, recepcionistas de hotéis, pessoas da área financeira. A Le Wagon tem um impacto muito positivo na vida dos alunos, seja mudando de carreira, seja tornando-se freelancer, com a capacidade de vender projetos rentáveis ​​em “tech”, ou de criar negócios. São muitas as startups que chegam ao Le Wagon com a ideia de aprender a criar seu protótipo. Quando eles saem, só precisam procurar clientes e investidores. No Brasil, temos cerca de trinta startups que nasceram no Le Wagon, algumas das quais também sou Business Angel.

Qual é a diferença entre programação e ciência de dados?

Nosso curso clássico é desenvolvimento web, no qual ensinamos Ruby on Rails. Não é o único único caminho na carreira de web, mas é o mais acessível para iniciantes. Para o "front end", a parte visível do site, ensinamos JavaScript. 

O aluno do Le Wagon também pode ir para a carreira de desenvolvedor de software, usamos o desenvolvimento web como o primeiro contato na tecnologia, é a maneira mais fácil de fazer um protótipo e os alunos veem o resultado imediatamente. Mas uma vez que eles entendem de programação, eles podem se adaptar a muitas outras linguagens.

A ciência de dados é uma formação mais recente na Le Wagon. Nas primeiras semanas, os alunos usam Python, uma linguagem muito próxima de Ruby on Rails. Eles aprendem a gerenciar todos os dados de um site, limpar o conjunto de dados, construir os modelos que processam os dados e torná-los utilizáveis ​​para a empresa em um “painel” legível.

Le Wagon também ensina modelos de machine learning. Os alunos então usam dados para alimentar um modelo que é aperfeiçoado por meio de feedback de dados. Por exemplo, em um dos projetos finais do 'bootcamp', os alunos gravaram milhares de pessoas tossindo e, com base na tosse, puderam 'detectar' se a pessoa tinha Covid ou não. Também lidamos com projetos como reconhecimento de imagem, detecção de tom em música, e para a web a criação de sites do tipo Airbnb, jogos online em JavaScript e etc...

Le Wagon oferece bootcamps de "programação" | foto: Vincent Bosson

Você pode nos contar sobre a French Tech em São Paulo?

De volta ao Brasil em 2012, conheci Eloi Déchery, o fundador da Zarpo, uma startup de viagens, que havia criado um grupo informal de franceses trabalhando na web. Nos encontrávamos de vez em quando, trocávamos conselhos. Na época, o grupo era chamado de “os web empreendedores amigáveis ​​de São Paulo”.

Então, a French Tech nasceu em 2015 e começou a desenvolver French Tech Hubs em todo o mundo. Com Eloi Déchery e outros, mudamos então o nome do nosso grupo, o grupo do Facebook virou grupo de WhatsApp e organizamos reuniões. Identificados como atores importantes em São Paulo pelo poder público da França, pudemos nos beneficiar de um trabalho em tempo integral que nos ajudou a nos estruturar. Hoje, estamos realizando diversos projetos, como a criação de uma plataforma de recrutamento French Tech São Paulo. E este ano, a French tech São Paulo está lançando uma bolsa para financiar estudos tecnológicos para estudantes que desejam estudar em uma escola francesa.

La French Tech é um selo que promove a tecnologia francesa no mundo.
Na França, a French Tech tem várias missões, incluindo a de atrair empresas, talentos e financiamento para novas tecnologias. Em São Paulo, nosso objetivo é primeiro ajudar e criar a comunidade tecnológica francófila e francófila. A La French Tech em São Paulo também é um relé do ecossistema brasileiro em relação à França.

O "board" em São Paulo inclui vários players da FrenchTech: Bertrand Chaverot, CEO da UBISOFT Latam, Charlotte Guinet, coordenadora de inovação da Edenred, Xavier Leclerc, fundador da MOX Digital, empresa que organiza eventos no Rio e São Paulo, Laurent Djoulizibaritch, uma empreendedora de alta tecnologia, Lara Krumholz, VP de uma adtech francesa, Olivier Aizac, o fundador operacional da Leboncoin na França, que se estabeleceu no Brasil e administra uma empresa de energia solar.

Você pode nos falar sobre o panorama tecnológico do Brasil?

Sou um empreendedor e, portanto, necessariamente otimista. O Brasil é antes de tudo um grande país com 200 milhões de usuários, que utilizam o mesmo ecossistema tecnológico do Ocidente, como Google, Facebook, etc. Quando uma empresa vai para a Coréia ou China, é mais complicado. Além disso, os brasileiros adoram experimentar coisas novas e, quando gostam, divulgam nas redes sociais onde são muito ativos.

Além disso, no campo digital, a América Latina, e o Brasil em particular, não tem sido o primeiro alvo dos grandes players globais de tecnologia, o que permitiu aos players locais contribuir para o desenvolvimento desse setor. , adaptando aplicativos existentes. É por isso que no Brasil existe um líder nacional em delivery, o IFood, enquanto o Uber Eats teve que fechar recentemente. No comércio, encontramos a empresa Mercado Livre. A Amazon chegou mais tarde (a empresa é o 3º ou 4º player nesse mercado).

Em finanças, o caso do Nubank é muito interessante. Em primeiro lugar, porque o digital possibilita quebrar os oligopólios que são uma verdadeira praga no Brasil, criando uma espécie de rascunho. No Brasil, 5 bancos detêm 85% do mercado. O banco central brasileiro está ciente do problema e, ao propor uma política regulatória mais simples para o digital, promove a Fintech, aumentando a concorrência e facilitando o acesso ao usuário. Podemos dizer que hoje o ecossistema de financiamento e inovação digital no Brasil é muito dinâmico. 


 
Artigo traduzido do jornal francês "le petit journal"
 
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