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Transformando código em dinheiro

Eu e meu sócio somos amigos acima do CNPJ e completamente diferentes na forma de fazer acontecer, porém o respeito pela computação nos faz entender que nem sempre os clientes estão certos e que mais vale as pessoas do nosso lado do código do que do outro lado da mesa.

Transformando código em dinheiro
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Conselhos de um dev de 22 anos de erros e alguns acertos.

Na semana em que faço 36 anos, completo também 22 anos do primeiro software vendido. Ou seja, 61% na minha vida eu ganhei meu dinheiro empreendendo com computação. 

Segue abaixo o resumo e a versão full deste seriado da vida real.

Resumo:

Pilot:


Meu primeiro contato com computador foi em 89 (se você me chamou de dinossauro agora, eu entendo). Era um MMX da Gradiente com drive de 3,5" (ícone de salvar impresso em 3D… rs) que não tinha HD. 
 Minha mãe colocou uma folha na minha frente e falou que se eu digitasse exatamente as "letrinhas", o computador faria som de avião.

Algumas horas depois lá estava eu apertando o enter e ouvindo brilhantemente o som de… PAN! Lá estava a minha primeira série de bugs…

Sem o menor aviso aprendi duas verdades da computação:
*Se você não está entendendo, ver:
Dicionário para se comunicar com programadores

Episódio I: Pentium IV hyper threading


Fast forward e em 99 ganhei o meu primeiro computador. Tela tubo de 17" com incríveis 10GB de HD. (e se você me chamou de dinossauro novamente, eu entendo.)

Foi nessa época que decidi ir para a escola técnica e, a bem da verdade, não tinha ninguém na família para me falar que a computação era a forma mais rápida de odiar os usuários. ( sim, usuários existem para complicar a nossa vida.)

Acabei fazendo duas escolas técnicas simultâneas e tirava da venda de sites e material de referência o dinheiro para comer hambúrguer com a minha namorada.

Ganhei uma grana legal nessa época, porém queria fazer ciência da computação.

As melhores dicas que aprendi nessa época foram:

Episódio II: Dell Inspiron 600m


 Entrei na faculdade já programando e fazia freelas para ter dinheiro. Fato que percebi desde o início era que as pessoas não valorizam o trabalho de TI.  

"É só um botão!"

Escutei isso tantas vezes que meu preço aumenta na hora que escuto uma barbaridade dessas. Aprendi cedo que precisava valorizar o meu trabalho de desenvolvedor e foi aí que comecei a estudar outras áreas: psicologia, filosofia e psicolinguística, onde tive a oportunidade de fazer a minha iniciação científica.

Abri minha primeira empresa com 300 reais que foram investidos pelo meu primeiro cliente da faculdade.
Foi nessa situação que aprendi que existem clientes bons e que eu poderia escolher meus clientes. (Aprendi mas não apliquei da forma correta).

O primeiro CNPJ a gente nunca esquece: é uma merda. Se você está pensando em abrir sua empresa, recomendo você primeiro, fazer um plano de negócio (ou business plan) para sua startup.

Tem que pagar contador, impostos e tanta coisa que no final sobra pro desenvolvedor 2 cocas e uma pizza. (a internet, eu usava da faculdade)
(Se você veio direto aqui ler as dicas é mais fácil ler o resumo)

Episódio III: Sony vaio 17" 15" e 13" 


Fali. 

Por erros de gestão, por falta de conhecimento e de maldade, por ter contratado freelas errados, por ter sócios com ideais diferentes.

Fali novamente.

Por calotes, por escopos mal feitos, por clientes ruins e por falta de conhecimento.

Eu sabia como fazer qualquer solução, porém o que não estava bom era empreender:

Computação e empreendedorismo são duas áreas que exigem saber lidar com os erros e assumir responsabilidade. Assuma isso o quanto antes. (e se valorize! Cobre o que é justo pra você e valorize os bons clientes também)

Season finale: Sony vaio professional 13"


Abri mais um CNPJ.

Computação, empreendedorismo (= liberdade + dinheiro) e basquete sempre foram grande parte da minha vida.

Foquei em conseguir bons clientes. (= tinham interesse nos resultados e acreditavam que eu era capaz de entregar. E ELES TINHAM DINHEIRO.)

Pegava um por vez e entregava o quanto antes o projeto. O acordo era sempre o mesmo. Se entregasse antes, antecipava pagamentos.

O valor da minha hora subiu, a vida começou a melhorar e finalmente estava com um bom amigo desenvolvedor que era potencial sócio. (e é até hoje...)

Recebia grandes valores, conseguia viajar todo fim de semana e no final de 2012 estava finalmente juntando as empresas para abrir a Butec Inovação Ilimitada (LTDA, rs).

Next season: Butec, buteco e bons clientes.


Temos 8 anos de empresa. Alguns clientes nos amam, outros querem me processar. Hoje sou consultor de vendas e inovação e já fui pra África, Japão, Dubai, entre outras cidades em 550k de quilômetros viajados. 

Eu e meu sócio somos amigos acima do CNPJ e completamente diferentes na forma de fazer acontecer, porém o respeito pela computação nos faz entender que nem sempre os clientes estão certos e que mais vale as pessoas do nosso lado do código do que do outro lado da mesa.

Afinal o futuro é do TI, eles que lutem.





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